“Tem imperialismo aí”, diz Martinelli em entrevista à Agência Sindical

A Agência entrevistou ontem (14) Rafael Martinelli. Aos 92 anos, o experiente sindicalista e combatente de esquerda comenta a atual ofensiva conservadora materializada no pedido de impeachment da presidente Dilma. Um dos últimos sobreviventes do CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), ele viveu a crise que matou Getúlio e, nos dez anos seguintes, os ataques ao governo JK, a campanha contra Jango e, por fim, o golpe de 1964.

Semelhanças e diferenças da crise atual e o golpe contra Jango. Martinelli: “Os interesses do imperialismo não mudaram, mas sim a forma de agir. O modelo de golpe militar se esgotou. Agora, tentam dar fachada legal ao golpe, como no Paraguai, e por meio desse pedido de impeachment”. À frente da ofensiva, “como sempre”, ele ressalta, os Estados Unidos.

Fator militar. Ele comenta: “O atual comando das Forças Armadas não está contaminado como em 1964, quando foi levado ao golpe pela campanha que denunciava suposto esquerdismo de Jango e a República sindicalista”.

Getúlio – A primeira crise grave vivenciada por Rafael Martinelli foi em 1954. “Eu já era dirigente do Sindicato dos Ferroviários da Santos-Jundiaí. Militava no PCB e discordava da critica do partido a Getúlio, que adotava posições nacionalistas e progressistas. O suicídio do Presidente pôs milhões nas ruas. Os ferroviários estavam com greve decretada, mas esperamos a adesão de outras categorias e fizemos greve geral em 2 de setembro”.

Entre 1954 e 1964. Não houve trégua. Juscelino quase não tomou posse. O sindicalismo formava frentes de ação, entre as quais o PUA (Pacto de Unidade de Ação), que reunia categorias fortes – mais tarde, organizaram o Comando Geral dos Trabalhadores.

Jango – Para Martinelli, “havia setores fascistas na área militar; esse grupo predominou dizendo que Jango implantaria uma ditadura sindical e de esquerda”. Ele comenta: “Esse discurso, enganou o povo e o próprio clero”. Nas sombras, observa, sempre o capital internacional e os Estados Unidos. Ele também ressalta o papel agressivo da grande imprensa.

Hoje – Raphael Martinelli vê uma grave crise internacional. A crise acirra as disputas. Para o líder ferroviário, “o Brasil incomoda por ser o líder de uma região em disputa, que é América Latina”. Também incomoda por integrar o Brics, novo bloco anti-hegemônico.

Erros – O velho militante não exime o PT de desvios. Mas observa que os conservadores têm muita força política. No entanto, critica a política econômica: “Tem que mudar e discutir os rumos com o povo, fazendo só as concessões necessárias”.

Raphael Martinelli afirma que “impeachment é golpe”.

Temer – Como seria um governo Temer. Ele aponta: “A política dessa gente é privatizar tudo, entregar tudo, entregar nosso pré-sal, liquidar a Petrobras e, com isso, atrair bilhões do capital internacional para investimentos no setor privado e em áreas antes sob controle nacional”.

Site – Texto na íntegra no site da Agência ( www.agenciasindical.com.br ).
Fonte: Agência Sindical

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