O sonho de liberdade

Escrito por: Joana Almeida – Presidente da Central Única dos Trabalhadores do Ceará (CUT-CE)

Artigo publicado, nesta segunda-feira (07/04), no Jornal O Povo.

O mês de março deste ano foi rico em discussões em torno da ditadura militar no Brasil (1964-85), que completou 50 anos no último dia 31. A Central Única dos Trabalhadores (CUT), em sintonia com a maioria dos brasileiros, almeja a democracia plena, ainda em construção, e apoia o resgate à memória dos combatentes ao regime de exceção. A liberdade para atuação dos partidos, dos sindicatos, movimentos sociais e do individuo é pressuposto de existência da democracia.

Atualmente, no Brasil, diante das mais diversas formas de expressão da livre organização e acesso aos meios de comunicação, se torna um tanto complexo, especialmente, para a nova geração, pensar uma sociedade onde os direitos individuais, coletivos e políticos foram cerceados por um regime autoritário, no qual ocorreram intervenções nos sindicatos, cassação dos direitos políticos, exílios, torturas e assassinatos.

A interrupção que os trabalhadores e a sociedade vivenciaram no processo de construção da democracia durante o regime militar, trouxe à tona a resistência daqueles que sonhavam com a plena liberdade e igualdade. Foi um longo caminho até aqui, especialmente para as organizações sindicais, que passaram pelo processo de construção de um novo sindicalismo livre do comando do Estado, de nova dinâmica para o estabelecimento das negociações com a classe patronal e instituição das negociações coletivas.

Embora alguns noticiários divulguem principalmente as investigações de figuras públicas, reverenciamos tantos anônimos, lideranças que foram torturadas e mortas, segundo seus algozes, em nome da ordem. É com o sentimento de respeito a quem, literalmente, doou a sua vida à luta, que a Comissão da Verdade tem valor imensurável para os familiares daqueles que não obtiveram justiça, para os movimentos organizados e para a história do Brasil. O sonho de liberdade dos lutadores de ontem nos inspira para continuarmos a caminhada na defesa da democracia, das reformas que ampliem e fortaleçam o Brasil como um país justo, da liberdade das organizações e da participação popular nessa construção.