Movimento quer a reestatização do setor elétrico no Brasil

O que o Brasil ganhou com a privatização de empresas do setor elétrico? A tarifa de energia residencial mais cara do mundo, demissões de trabalhadores, queda na qualidade do serviço e aumento do número de acidentes de trabalho. Essa é a resposta dos sindicatos de eletricitários do País e Federação Nacional dos Urbanitários (FNU) que lançaram ontem, em Fortaleza, um movimento nacional para a reestatização das distribuidoras de energia elétrica. Anunciada durante audiência pública que debateu o tema na Assembleia Legislativa do Ceará, a campanha que pretende percorrer todo o País aproveitando o momento de crise mundial já reestatizou bancos e montadoras em vários países.

Durante o evento, foram debatidos problemas do setor elétrico no País após as privatizações, dentre eles os aumentos autorizados nas tarifas de energia. A audiência foi requerida pelo deputado Nelson Martins (PT), vice-presidente da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Assembleia a pedido do Sindicato dos Eletricitários do Ceará (Sindeletro).

O presidente da entidade, José Flávio Maia Uchoa, defende que seja feita uma revisão do Contrato de Concessão de Distribuição celebrado entre a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Companhia Energética do Ceará (Coelce), em maio de 1998, ano de privatização da concessionária.

Várias vezes os discursos foram interrompidos por palavras de ordem das pessoas levadas pela Central dos Movimentos Populares, Movimento dos Trabalhadores sem Terra e outras entidades que lotaram o auditório Murilo Aguiar, local da audiência. Entres outras coisas eles gritaram: “Água e energia não são mercadoria”, “O preço da luz é um roubo e tira a comida do povo”. De 1999 até os dias atuais, calcula-se que a Coelce reajustou as suas tarifas em 274%, contra 190% de aumento do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), índice utilizado para o cálculo do reajuste de energia, e 100% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), que mede a inflação oficial no Brasil.

Também foi ressaltado os crescentes lucros das empresas. No caso da Coelce foi citado o lucro de R$ 81 milhões no primeiro trimestre de 2009, superando o resultado em igual período de 2008 em 66,2%. O deputado Lula Morais que aguarda a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para reduzir a tarifa da distribuidora, disse que essa “imoralidade” não pode continuar.

Fonte: Jornal O POVO