Manifestação obriga Cid a caminhar até a sede do Governo

Os professores em greve fecharam ontem o acesso ao Palácio Iracema pela avenida Washington Soares, obrigando o governador Cid Gomes, que estava chegando ao local de carro, a descer do veículo e seguir a pé até a entrada da sede do Governo do Estado. A caminhada foi curta, mas o suficiente para causar tumulto. Os manifestantes corriam para acompanhar o governador, gritando frases de protesto. Rodeado de assessores, Cid percorreu o caminho calado. Respondeu apenas a uma pergunta de uma repórter, quando já estava próximo à porta de entrada. “Sempre que (os grevistas) me procuram, eu recebo”, afirmou.

Neste momento, um cinegrafista que tentava acompanhar os passos apressados de Cid caiu. O próprio governador o ajudou a se levantar. Quando finalmente conseguiu entrar no Palácio, Cid garantiu aos manifestantes que iria se reunir com eles, pedindo que formassem uma comissão com representantes da categoria. Cerca de 40 minutos depois, o grupo estava numa sala com o governador. “Ele ficou sem alternativa. Teve de descer do carro e receber a gente”, comemorava a professora Gorete Almeida, que estava entre os cerca de 20 integrantes da comissão.

Depois que Cid Gomes deu a garantia de que iria receber os manifestantes, os ânimos no lado de fora do Palácio se acalmaram. Alguns manifestantes até tentaram entrar, mas foram impedidos pelos policiais militares que estavam ao longo da grade de ferro. Os mais exaltados eram advertidos pelos próprios professores. “Na nossa luta não é pra usar o corpo e, sim, a mente”, dizia uma delas, tentando acalmar um homem que discutia com um policial.

O protesto dos professores da rede estadual, em greve desde o último dia 15, contou com o reforço de profissionais da rede municipal, que também paralisaram suas atividades. O grupo se concentrou ontem, por volta das 10 horas, na avenida Washington Soares, na altura do Salinas Casa Shopping. Eles ocuparam toda a pista no sentido Messejana/Papicu, impedindo o trânsito de veículos. De lá, caminharam até o Palácio Iracema.

Reivindicações
A extensa lista de reivindicações dos professores da rede estadual inclui a implantação do Piso Salarial Nacional – garantido por lei – e da progressão horizontal, o que lhes assegura um aumento de 5% nos salários por ano trabalhado e mudança de nível na carreira profissional.

A assessoria de imprensa do Palácio Iracema informou que, durante a reunião com os grevistas, o governador “reafirmou seus compromissos com a categoria” e prometeu participar da assembleia da categoria marcada para a próxima sexta-feira. “Ele garantiu (a realização de) concurso público e o encaminhamento (das reivindicações) para a Assembleia Legislativa em julho”, disse a presidente do Sindicato dos Professores do Estado (Apeoc), Penha Alencar, informando ainda que a greve continua. (Tiago Braga)

E-MAIS

> Enquanto a organização do protesto estimou o número de manifestantes em mil, a Polícia Militar informou que havia 150.

> Durante a manifestação na avenida Washington Soares, policiais da Companhia de Policiamento Rodoviário (CPRv) orientavam os motoristas a fazer desvios pelas ruas paralelas.

> A pauta de reivindicações dos grevistas também inclui a realização de concurso público, reformulação do Plano de Cargos e Carreiras (PCC), reajuste salarial de 19,2%, regularidade no pagamento dos professores temporários, gestão democrática e novas eleições.

> A promessa do Governo é de enviar para a Assembleia Legislativa, em julho, mensagens referentes à implantação do PCC, das progressões e dos prêmios por desempenho para as escolas.

Fonte: Jornal O POVO