Acidentes de Trabalho, somos todos atingidos…

Mariana MG, acidente ambiental ou acidente de Trabalho ampliado?

Uma tragédia anunciada?

Foi um acidente de trabalho ampliado, associado a uma tragédia ambiental nunca vista antes em nosso país e com consequências ainda não assimiladas até agora.

O dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho surgiu no Canadá por iniciativa do movimento sindical e logo se espalharam por diversos países, organizado por sindicatos, federações, confederações locais e internacionais.

A data foi escolhida em razão de um acidente que matou 78 trabalhadores em uma mina no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, no ano de 1969. A Organização Internacional do Trabalho (OIT), desde 2003, consagra a data à reflexão sobre a segurança e saúde do trabalhador. Desde maio de 2005, o dia 28 foi instituído no Brasil por meio da Lei nº 11.121.

No Brasil as estatísticas oficiais do Ministério da Previdência mostram que entre 2012 e 2014, ocorreram mais de 2 milhões de acidentes do trabalho. Ficaram inválidos 47.910 trabalhadores e 8.392 morreram. No setor extrativo foram contabilizados 21.057 acidentes de trabalho. Esses dados mostram a dimensão da irresponsabilidade do capital na busca incessante de lucro fácil. Negligenciam as normas de proteção à saúde dos trabalhadores e as colocam para o estado, para toda a sociedade e, em especial para o movimento sindical e popular que têm um enorme desafio a ser enfrentados em defesa da vida e dos direitos humanos. Uma vez que defender a vida é defender direitos humanos da classe trabalhadora.

A OIT estima que no mundo ocorra 170 milhões de acidentes e doenças do trabalho por ano, dos quais 2,34 milhões geram mortes. Além de aproximadamente 160 milhões de casos de doenças ocupacionais. Essas ocorrências chegam a comprometer 4% do PIB mundial. Cada acidente ou doença representa, em média, a perda de quatro dias de trabalho. Dos trabalhadores mortos 22 mil são crianças, vítimas do trabalho infantil. Ainda segundo a OIT, todos os dias morrem em média cinco mil trabalhadores devido a acidentes ou doenças relacionadas ao trabalho.

Queremos denunciar o último acidente de trabalho ampliado, ocorrido no dia 5 de novembro de 2015, um dia que nunca será esquecido, e dedicar nossa solidariedade às vítimas do acidente de trabalho ampliado de Minas Gerais no município de Mariana, na localidade de fundão, na unidade de exploração mineral de Germano. Denunciar este crime ambiental combinado com assassinatos de trabalhadores e vítimas da negligência patronal em busca de lucro fácil.

O crime da Samarco, VALE e BHP Billiton, empresas que cometeram crimes hediondos contra a vida. Crime que vitimou 18 pessoas, duas eram crianças e 16 trabalhadores, dos quais, 12 eram terceirizados, um empregado da Samarco e três moradores de Bento Rodrigues. Ainda há uma pessoa desaparecida.

A destruição da natureza, já provocou prejuízos calculados em bilhões de dólares, somente na recuperação ambiental serão necessários 5 bilhões. Além das mortes, muito sofrimento psíquico-social e adoecimento de trabalhadores, crianças, jovens, adultos e de pessoas idosas. Centenas de pessoas perderam seus lares, 10 mil postos de trabalho foram fechados, milhares de agricultores, comerciantes e pescadores estão sem trabalho e mais de um milhão de pessoas foram atingidas por esse acidente do trabalho ampliado. A destruição da bacia do rio doce com mais de 10 milhões de rejeitos da ganancia capitalista já matou toda uma vida rio abaixo até o oceano atlântico.

Não haveria tristeza

Hoje vendo o mesmo rio

Dá-me aquele desgosto

O que fizeram com ele?

Pergunto já indisposto

 

Arrasaram suas margens

Restando só o capim

Encheram-no de lixo

E de esgoto até o fim

 

É ambição e ignorância

Desrespeito com a Criação

Fizeram o que quiseram

Sem prestar bem atenção

 

Mas ainda resta tempo

De rever o então feito

Reviver o nosso rio

Tornando-o como perfeito

 

Só basta ter à vontade

Alguma determinação

Sair do velho reclame

E partir para a ação.

Poema de: Benedito Gomes Rodrigues

 

Escrito por: Domingos Braga Mota, Secretário de Saúde e Segurança do Trabalho da Contracs/CUT

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